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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quando tudo em volta cala...



"Quando tudo em volta cala,
quando nada mais se espera.
O silêncio alto fala,
como nunca antes fizera.

Nem palavras ou acenos,
sentimentos ou sentidos.
Apenas o eco obsceno,
cantando nos meus ouvidos.

Sussurra um poema triste,
com o último verso inacabado.
E diz-me que minha sorte,

É ser como ele, desafortunado.
Por ouvir apenas o silêncio,
mesmo ele nunca tendo falado."

segunda-feira, 21 de março de 2011

Soneto de Separação, do grande "poetinha"



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.



(Vinicius de Morais)


Para escutar enquanto lê (a Camila Morgado interpretando o soneto é incrível!)




domingo, 20 de março de 2011

Inspirado por um grande amigo, palavras de uma grande poetisa. 


"O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre." 


(Adélia Prado)

sábado, 5 de março de 2011

Mais do que um céu estrelado



Há muito não via um céu estrelado,
Como esse que contemplo agora.
Boquiaberto e maravilhado,
Torço pra não mais ir embora.


Tão perto, as sinto nas mãos,
Que tocam, me beijam, abraçam.
Mergulho em pensamentos vãos,
Nem vejo as horas que passam.


Me sinto voando bem perto,
Que vejo os buracos na Lua.
E por mais que eu me ache desperto,


Minh'alma vai longe, flutua.
Nem sei distinguir se ao certo,
É sonho ou apenas lembrança sua.


(Luiz Monaro Soares)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Porque Vinícius de Moraes nunca é demais!

Nunca é demais falar sobre amor.

Nunca é demais ler coisas que falem ao coração.

Por isso, nunca é demais, ler os poemas e canções desse nosso grande "Poetinha"!




"Se você quer ser minha namorada

Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois."

(Vinícius de Moraes e Carlos Lyra)

Isso é o que chamamos de poesia! E agradeço a Deus por poder ler essas maravilhas!

Procurando por essa música, achei uma versão caseira no YouTube muito interessante (o vídeo é do usuário noblemanutube). Valeu pela contribuição cara!

Deixo aqui, pra que possa embalar a leitura de vocês!



Grande abraço,
Luiz

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Novo Poema!


A florzinha lá no campo,
Nos conta o canto de Deus.
Nos conta o quanto o Pai,
Venera os que são seus.

Enquanto no céu, o sol brilha,
Vistoso, reinando altivo.
E assim, nos aquece e dá mostras,
Somos filhos de um Deus vivo.

A lua, estrelas, constelações,
Os bichos, a chuva, o mar.
Com tantas coisas assim,

Fica até difícil contar.
Pois Deus é o dono do ouro e da prata,
E de tudo que na Terra há.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Em meio ao caos, a calmaria...

Dizer que São Paulo é a cidade do caos, da correria e do stress é chover no molhado.
São movimentos automáticos, como descer do metrô, subir correndo a escada rolante pra tentar não perder o ônibus ou o trem.
Pessoas se esbarram e nem ao menos voltam a cabeça para pedir desculpas, ou ao menos pra saber em quem esbarrou.
Eu também sou assim.
Mas ontem, mesmo em meio a esse caos, enquanto subia as escadas da Estação Ana Rosa, dirigindo-me a uma reunião no escritório, deparei-me com um dos poemas de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa). Era um dos cantos de
O Guardador de Rebanhos.
Não parei pra ler ali, pois sabia que seria atropelado (isso é fato!). Mas, fiquei imaginando o conteúdo daquele poema e o contraste com toda aquela correria à minha volta.


Esses são os primeiros versos desse espetacular poema:

"Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.

Minha alma é como um pastor,

Conhece o vento e o sol

E anda pela mão das Estações

A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente

Vem sentar-se a meu lado."


Mesmo em meio ao caos de São Paulo, você também pode encontrar momentos de calmaria. É só olhar a sua volta.

sábado, 14 de agosto de 2010

Poema de Gabriela Mistral, fantástica poetisa chilena, foi a primeira figura literária feminina a ganhar o Prêmio Nobel no continente americano.


DAME LA MANO

Dame la mano y danzaremos;
dame la mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
como una flor, y nada más.

El mismo verso cantaremos,
al mismo paso bailarás.
Como una espiga ondularemos,
como una espiga, y nada más.

Te llamas Rosa y yo Esperanza;
pero tu nombre olvidarás,
porque seremos una danza
en la colina, y nada más.


(Esse poema foi deixado na minha cama, como boas-vindas, por parte do hotel no qual fiquei hospedado)

domingo, 1 de agosto de 2010

Novo poema...

E eis que mais um poema surge.
O desejo de escrever, de externar,
Furiosamente urge.
E como numa onda que se quebra,
Impiedosamente,
As espumas me trazem as palavras.
Uma a uma.
Molhadas,
Das águas do mar.
De suor,
De ansiedade.
Elas queriam logo tomar vida.
Contento-me em observá-las,
Enquanto se vão, sem mesmo se despedir.
Mas não me enraiveço.
Logo, o mar me trará novas ondas,
E em suas espumas,
Palavras,
Milhares de palavras.
Todas elas,
Límpidas,
Molhadas,
Vivas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Novos poemas...


No meu mundo de fantasia,
Só há lugar pra uma princesa.
É ela quem rege a melodia,
Quem mantem a chama acesa.

Meus dias eram todos iguais,
Quando enfim, ela apareceu.
Um barco atracou-se ao meu cais,
E a linda donzela desceu.

De súbito ganhaste a minh'alma,
E a todos em volta encantou.
Tiraste de mim toda a calma,

Quando pra mim, seus beijos negou.
E hoje, ainda assim a venero,
Mesmo sabendo, que ela nunca me amou.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pela imensa vastidão da estrada...


Pela imensa vastidão da estrada,
O sertanejo segue seu rumo.
Nas costas, a velha enxada,
Nos bolsos, um pouco de fumo.

Deixando pra trás sua terra,
Seu sangue, suor, sua vida.
Um filho, uma filha e a esposa,
Perderam a guerra temida.

Agora caminha sozinho,
E o sol lhe faz companhia.
De noite, se encosta num tronco,
E espera raiar o dia.

Não sabe pra onde ir,
Nem mesmo o que fazer.
O jeito é seguir em frente,
Tentando a vida viver.

Ou talvez, cave a própria cova,
Se deite e descanse em paz.
Mas logo, lhe vem à mente:
- Nem pense nisso rapaz.

Nem parece que é do Norte,
Destemido e corajoso.
Nunca teve medo da morte,
Muito menos do tinhoso.

Agora, confie em Cristo,
Nosso Pai Celeste, Amoroso.
Que lhe promete no Céu,
Um reino bem majestoso.

Com água em abundância,
Comida pra todos suprir.
Seus filhos vivendo a infância,
Que aqui não puderam sentir.

Sua esposa tranquila e serena,
Nas águas do rio se banha.
De longe sorri e acena,
E lhe diz, o quanto lhe ama.

Levante e seque o choro,
E nem pense em olhar pra trás.
Pois este não é seu tesouro,
Agora, você bem o sabe, rapaz!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mais um trem vem chegando...


Mais um trem vem chegando.
Entre apertos e empurrões,
Procuro seu rosto.
São muitos,
E muitos.
Mas não vejo aquele que quero.
O trem pára mas não entro.
As pessoas me olham com dúvida.
As portas se fecham
E mais um trem se vai.
Rápido,
Cada vez mais rápido
E outros rostos passam por mim,
Menos o seu.
Talvez, eu espere o próximo trem chegar
Não levará mais do que cinco minutos.
Ou talvez,
Leve uma vida inteira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O amor é feito a rosa


O amor é feito a rosa
Que nasce e cresce no jardim,
Mas por mais que a regue e plante
Ela nunca vem pra mim.

Já plantei, reguei, cuidei
Fiz de tudo com a terra
Mas dali, nada saiu
Invejo as rosas da serra

Alguns dizem, é má-sorte
Outros dizem, mau-olhado
Em nenhum deles confio,

Prefiro seguir meu trabalho
Pois sei que um dia, minha rosa
Ainda trará meu orvalho.

domingo, 9 de maio de 2010

Drummond e as mães


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

domingo, 25 de abril de 2010

Quando entramos no quarto,
naquele domingo à noite,
já sabia o que nos esperava.
Naquele quarto,
sorrimos juntos,
choramos,
crescemos,
renascemos.
Daquela vez, seria diferente.
Quando você começou a falar,
encostei-me num travesseiro,
pois sabia que aqueles momentos não seriam fáceis.
Olhando para o teto,
reparei em rachaduras, tão pequeninas,
que formavam caminhos sinuosos.
Será que elas já estavam lá antes
ou será que as rachaduras partiam de mim?
Foi quando você disse,
- É por isso que quero terminar.
As lágrimas rolaram mais fortes,
mais pesadas.
E as rachaduras,
viraram uma coisa só.
Permaneci imóvel,
com a cabeça voltada para o teto.
Não tinha reação.
Quando abri os olhos,
As rachaduras não estavam mais lá.
Sei que elas não sumiram,
apenas se juntaram àquelas que eu trazia comigo.
Você também trazia lágrimas nos olhos,
na alma,
no coração.
E o melhor a fazer era justamente,
o que você fez.
Me deixou ali,
Sozinho com minhas rachaduras.

domingo, 18 de abril de 2010

Vinicius de Moraes

Faço das palavras de Vinicius, o que sinto neste momento.

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

(Vinicius de Moraes)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

As palavras do mestre Drummond!


Queria eu ter escrito essas palavras...

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as
suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!


(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Houve um dia...

Houve um dia na minha vida
Em que nada fazia sentido.
Não havia cores, cheiros, sons,
Meu arco-íris era branco e preto
Minhas flores não exalavam aroma algum.

Tudo era triste, sem graça, vazio.


Houve um dia então, que você apareceu.
Cor por cor,
Meu arco-íris foi se pintando.
As flores me seduziam de longe
E a vida, enfim era vivida.

Houve um dia, que eu amei seu jeito,
Sua fala, seu olhar.
Tudo em você me arrebatava,
Era impossível não te amar.

Houve um dia, que esse amor se foi.
Você se foi.
E eu fiquei.
Inerte, imóvel, infeliz.
Você me levara tudo,
E deixara o seu eu em mim.

Aprendi a ser feliz sem você,
Sem seu sorriso, sem seu amar.
Mas hoje, sei com certeza,
Houve um dia, que pra mim,
Sempre haverá.

terça-feira, 30 de março de 2010

Ah, as palavras...


Muitos me perguntam por que escrevo,
Se tenho alguma inspiração.
Respondo-lhes que não.
Não preciso de nada disso para escrever.
Tenho uma relação de amizade com as palavras.
Eu gosto muito delas e elas de mim.
Os verdadeiros amigos precisam de algum motivo,
Para fazer uma visita?
Uma surpresa?
O melhor não é quando aparecem sem que esperemos?
A alegria que sentimos não é maior?
Pois então,
Assim fazem comigo as palavras.
Passam dias e dias em minha presença.
Porém, como todo bom amigo, elas também se retiram.
Às vezes, se escondem, se afastam.
E eu as compreendo.
Todos nós precisamos disso.
Mas, elas sempre voltam.
Mais fortes, mais fiéis, mais companheiras.
Hoje, decidiram me visitar.
Abri a porta de casa, ofereci-lhes um café,
Algo para comer.
Elas acenaram que sim,
E sentaram-se comigo à mesa.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Já caía a noite.

E com ela, um sereno leve.

Quase imperceptível.

Da varanda do apartamento, ela observava o mundo.

Lá embaixo, ele o vivia.

Se entreolharam.

E tudo parou por alguns segundos.

Ela corou.

Ele sorriu.

Ele deu um passo adiante.

E ela o seguiu com o olhar.

O que será que ela pensava?, imaginou ele.

Ela não pensava em nada.

Apenas sentia.

Um aceno breve com a cabeça.

Um, até mais ver, com o olhar.

Os dois sorriram.

Ela saiu do sereno e voltou ao calor do apartamento.

E ele, se foi, sem olhar pra trás e seguiu seu caminho."


(08/10/2009)