Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de maio de 2011

Drummond e as mães!

Quisera eu ter escrito essa belezura, que é um culto a todas as mães do mundo! 






Para Sempre 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade)



Um grande beijo a todas as mães do mundo! E em especial à minha queridona! E à minha vó também!
Amo vocês!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

As palavras do mestre Drummond!


Queria eu ter escrito essas palavras...

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as
suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!


(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

E agora José?


17/06 - Presidente Lula critica denuncismo da imprensa em escândalos envolvendo José Sarney
19/06 - José Sarney já tem sete parentes no escândalo dos atos secretos

09/07 - Família Sarney coleciona escândalos no poder

07/08 - José Sarney determina a revalidação de 152 atos secretos no Senado

15/08 - Protestos pelo país pedem saída de José Sarney da Presidência do Senado


Alguns poemas são atemporais!

Esse de Drummond, com certeza, é um deles.
Quem nunca leu as famosas frases, "e agora José, a festa acabou...", num sarau da escola?

E hoje, já que nosso querido presidente não concorda com o "denuncismo" da impresa em relação aos escândalos do Senado, uso da arte, da poesia, para mostrar a nossa indignação.


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

(C.D.A)

Sem mais!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

25/08 – Dia da Infância – Há razões para comemorar?


"Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, pois dos tais é o reino de Deus" (Lc. 18:16)


“Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!” (Casimiro de Abreu)


Como disse Casimiro de Abreu, neste pequeno, mas profundo trecho do magnífico poema Meus oito anos, “que saudades que tenho da aurora da minha vida”!
É tão bom ser criança né?

Pena que essa felicidade não é privilégio de todas as crianças! Muito pelo contrário! São poucos aqueles que conseguem passar as tardes “à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais”.
A maioria passa não só às tardes, mas as manhãs, as noites, os dias de sol, de chuva, em faróis, mendigando uns trocados, se humilhando por centavos, renegados à própria sorte.

“Que vai ser quando crescer?

Vivem perguntando em redor. Que é ser?

É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou?

Tenho de mudar quando crescer?

Usar outro nome, corpo e jeito?

Ou a gente só principia a ser quando cresce?

É terrível, ser? Dói?

É bom? É triste?

Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?

Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.

Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a?

Posso escolher?

Não dá para entender. Não vou ser.

Vou crescer assim mesmo.

Sem ser Esquecer.” (C. D. de Andrade)


Ê Drummond, desculpe-me te parafrasear e mudar teu poema, mas é de se “pensar que muitos nem poderão escolher o que vão ser.
Mesmo assim vão crescer,
Mas na verdade, serão Esquecer.

Até quando?


ONG diz que Brasil tem terceiro maior índice de analfabetismo da América Latina

Nos últimos cinco anos, o número de casos de violência sexual contra crianças de classe média subiu de zero para 22% nos registros médicos oficiais de São Paulo.

Violência contra crianças: Brasil recebe 92 denúncias por dia


Olhemos com outros olhos para as nossas crianças.
Pro nosso hoje, pro amanhã.
Que elas possam rodar peão, jogar bola na rua ou soltar pipa.
Jogar videogame, computador ou o que quer que seja.

Como Casimiro, que um dia eles possam

“Pés descalços, braços nus
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis.”